Arquivado em: Uncategorized
Penso que seria a altura de continuar o trabalho que disse que iria desenvolver. Mas hoje não me apetece e não consigo. Isto de se escrever num blog dá para fácilmente ter vontade de desatar a escrever para o ar. É de certo modo mais ou menos perigoso, como uma demência que usa o gerûndio e se vai instalando. Abrindo largas ao devaneio do que nem se sabe bem mas vai tomando forma. Talvez que seja mesmo um aviso, que lá por não se usar papel e não se sacrificarem árvores para servirem de suporte, ao não dizer nada que valha a pena, que mesmo assim se deve acautelar o extravasar. Bem sei que escrevo para o ar, e que o ar é um composto, complexo como convém aos sempre iniciados na vida que vão concluindo que nada se deve concluir. Bem vistas as coisas, passamos muito tempo a dormir mas ainda passamos mais tempo a dizer sei lá o quê. Deveria haver doutoramentos e mestrados bem pagos para tão divulgada actividade. “Ser o próprio é a Arte mais difícil” escreveu Almada Negreiros. Lembro-me muitas vezes disso, de facto acabamos por tender para nós próprios, em aproximações que resvalam no sabe-se lá porquê. A escola deve ensinar exactamente o que na prática dos gestos nos pudesse servir para nos encontrarmos no particular. Hoje percebi, num movimento ingénuo de me dirigir a um museu e deixar alguns trabalhos na loja para vender, que os nossos museus deveriam em vez de canecas e lenços, ter artistas contemporâneos a dialogar com o espólio presente. Os museus ganhariam vida e seriam lugares com vida de pensamento, acto e omissão. Tornar-se-íam tão pecaminosos quanto o estar vivo e assim talvez houvesse vontade presente e não só do passado.
Sem comentários ainda até agora
Publicar um comentário
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>