Maria João Worm


Plantas dos pés versus projectos
25 Outubro 2009, 6:23 pm
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envasadosOs filmes, os livros, a música, a poesia,  o desejo de conversar, pelo prazer de descobrir. A postura que se tem em relação ao que se quer que aconteça connosco,  dentro do que parece sempre estar, antes e depois de cada um de nós. Quero muito que a cabeça adormeça, mas o maior desejo é que o cansaço de querer encontre um lugar. Vejo ao meu lado como se ocupa o tempo. E eu? Sim,  ocupo também o tempo. Contradigo-me quase sempre. E quero tanto ser salva por palavras, por imagens. Encontrar. Eis o que acho que salva o dia de todos. Dar de caras e corações. Acho que não é preguiça mas o anseio é encontrar. No meu meu caso não tem de obrigatóriamente que ver com o esforço da procura. Outro dia falava de plantas dos pés. Sim,  as plantas dos pés, esse lugar que ainda sendo nosso,  pisamos e ao mesmo tempo serve de ligação com o chão. De tal modo sensível que o protegemos com solas e sapatos. E depois é realmente quando nos esquecemos da nossa presença que os pés são mais plantas; de resto o que nos é proposto são projectos. De momento o corpo não me dói, a aparelhagem que se resolve dentro de mim e que vai estando funcional e me permite dar largas à cabeça e ficar a pensaricar nisto e naquilo, sem dor de processo, vai simplesmente sendo.  Não me dói a máquina, embora só saber dela me faça ter dó. Uma música primária sem sustenidos ou bemóis. Que dificuldade é esta de se ter presente a possível e desejável vida sem a dor física. Esta ingratidão desconcerta. Deveria saber que hoje o que não sei é possível que seja a circunstância de haver felicidade. Ou alegria, já que cabeças melhores do que a minha as distinguem.



VISÃO
11 Outubro 2009, 5:51 pm
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visao

Esta pintura é sobre a visão. Encontrei-a na forma de fotografia, nos arrumos que volta e meia se fazem. Já não a tenho porque foi feita sobre papel de alcatrão e amachucou-se num dos tais arrumos. O papel de alcatrão também desapareceu do mercado.