Maria João Worm


O tempo precisa dos corpos para saber que existe. Danças de salão
15 Setembro 2010, 10:14 pm
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Uma insónia é um tempo todo ele dedicado a estar e permanecer dentro e fora do tempo num contentor de desabamentos e estruturas de sobrevivência. Vive-se o presente nos pensamentos que têm a necessidade fisica de respirarem como se fossem corpos. O silêncio ajuda a ter esse conforto que não tem posição e que se desajusta do sono. Estar assim de olhos abertos para o escuro a substituir sonhos por pensamentos dá um cansaço tão grande que toma o espaço inadiável de uma tarefa importante. Agora é a presença,  na grande responsabilidade de pensar com a cabeça irrigada pelo corpo horizontal que finge estar quieto como no sono. A vigilia  maior do que a vida, num intervalo ocupado pelos neurónios na pista, segue as marcas desenhadas no chão onde se repetem os movimentos das danças de salão. E se quem dorme tem acesso à plasticidade de experimentar deixar de ser apenas um, quem assiste sabe que participa no eterno ensaio que anuncia a morte. Não tem nada de trágico.

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