Maria João Worm


Agora que caminho para a velhice sei que poderei esquecer os tempos em que preexiste a presença da câmara que filma os amantes.
22 Novembro 2010, 8:35 pm
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“Acho que o que me custa é ver que sentir tem a beleza incompleta. Sentir é ver muito bem, mais por dentro das imagens, mas usamos sempre o corpo. Ele perde a vontade, o desejo e a capacidade da coisa vaidosa de ser encantador e passa a ser lugar que recebe sem poder dar encantamento. Fá-lo-à de um modo diferente, terá possivelmente o encanto de uma gratidão de poder aceder ao que não pode ser vaidade. Mas hoje aprendi que quem vive muito tempo ama-se tanto que o que lhe resta é comprazer-se na lembrança do que foi, e infelizmente na enganosa vista de se ter como pessoa dada a capacidades e actos extraordinários. Ouço-os e penso que seremos todos feitos desta capacidade de fazer o extraordinário mas sei que as patranhas se forjam nas entranhas sobreviventes. Quero morrer antes disto”. (lembrei-me deste texto porque ontem vi o filme “Cópia autenticada” do realizador Abbas Kiarostami) O filme é muito maior do que o excerto que transcrevi da poetisa romena MJoseph D do livro “Acerca da beleza do jardim desfolhado” . Vale mesmo a pena ver.

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