Maria João Worm


Acerca da ironia
10 Outubro 2012, 7:40 pm
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Ironia pode ser um modo de lidar com a flatulência.

Ela tem uma expressão interiorizada que se dá, nesse impulso que o dar pode ter,  mas seguindo um método de previsão sismico, racional, rasurado e calculado, patenteado por maquinetas inventadas e  com seguro.

Existe um risco, cuidado e muitas vezes desgraçadamente consciente, que parece brincar, mas tem mais de razão do que ser apenas por si.  A ironia é uma propriedade, com cercas definidas.

Pode aparentar num ínicio ser desconcertante e acertadamente acéfala.

O tema central mantêm-se, mas de resto não existe senão perda de inocência.

Quanto mais se sabe, de um certo saber, mais a ironia pode brincar.

Mas a ironia brinca inevitávelmente triste. Por pose, para se aguentar, mas também porque rebenta no ácido da conveniência que doseia.

È o bluff, o político no que tem de manipulador.

Pode ter alguma aristocracia, mais não seja no modo como se deixa ir, encriptada e para um certo nível.

A ironia pode ser o excesso de cultura à procura do anti-ácido que lhe dê a digestão.

Sabendo que é maldade amansada, amestrada por um saber que não se compraz no seu mais intímo.

Depende do saber.

Brinca sem prazer no fio emprestado do que seria natural.

Ironia pode ser parecido com parábola ou metáfora, mas para isso é preciso que  quem a invoca e a usa, não sofra de flatulência.

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