Maria João Worm


Discurso de uma cor (preto) teatrinho de papel
14 Março 2014, 5:47 pm
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Cá p’ra mim eu quero ter um grande tudo

onde caiba tudo o resto

para além do que lá estava

antes de o ter só p’ra mim.

Quero tudo.

Claro fique no papel das minhas posses.

Quero mais que isto ou aquilo.

Que no tudo cabe tudo e o que está por inventar.

Mesmo o que se esconde debaixo das carpetes,

ou tesouros entremuros,

pão-de-ló e ovos moles e bolachas integrais.

E migalhas pequeninas

e roscas e pão ralado.

De quem é o centro da terra,

e as mais altas montanhas,

as estrelas perdidas no espaço

mais as luas a retalho

e os cometas de aluguer?

Mas não pensem que só quero riquezas.

Os palácios e os navios

possuir grandes empresas

mares inteiros, grandes rios.

Quero também sorrisos

quero a vida das crianças

saber todas as histórias

comover-me humanamente,

compadecer-me igualmente,

desfalecer de paixão.

Renascer mesmo a seguir

com a música da minha orquestra.

E gritar bem alto.

Tende cautela com os possiveís ociosos

branquistas falaciosos

de vistas encandeadas.

Defensores do branco puro

mas à força da lixivia.