Maria João Worm


Exposição Fonte das palavras
8 Dezembro 2012, 10:24 pm
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Exposição patente de 13 de Dezembro 2012 a 17 de Fevereiro 2013.

Exposição patente de 13 de Dezembro 2012 a 17 de Fevereiro 2013.



Project Fountain
30 Janeiro 2012, 5:47 pm
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Amar

Lembro-me, já sem ter outra prova senão perguntar-te e tu concordares.

Lembras-te?

Foi encantador termos encontrado uma procissão de caracóis em Roma.

No Egipto tudo me pareceu queimado e triste e tu disseste que afinal não tinha sido grande ideia querer ver o que sonhávamos ser o Nilo.

Em Florença tivemos uma insónia histórica,

e no Japão brincámos como crianças sob as amendoeiras em flor.

Se tu disseres que sim eu sei que fomos exactamente assim.

(poema de Alphonse S.)



Project Fountain
4 Dezembro 2011, 6:19 pm
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O verdadeiro chão

Quando eu era novo todo o espaço parecia a idade do mundo,

A sombra das árvores aparecia e coincidia, partilhava o tempo,

não sabia que estava combinado um foco variável de luz.

As árvores estavam sempre a pensar em flores

e eu não sabia nada acerca da consequência dos frutos.

As àrvores quando dão flor sabem viver

e os frutos apenas são eles próprios.

Josef Almeida ( poeta e tradutor)



Búzios-Project Fountain- últimos poemas
19 Outubro 2011, 1:29 am
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Nunca correr e fumar foram parceiros.

Dizem que existem amores assim,

dizem que se complementam.

Por mim

às vezes acho penas,

moedas,

elásticos de cabelo,

um brinco.

O que acho,

fico sempre a saber que pertence a quem perdeu.

Já tive vontade de trazer para casa o que foi perdido por outros.

Ninguém perde dois brincos, ainda bem.

Perde-se sempre uma parte.

De facto encontramos pedaços que contam histórias onde lhes falta o que nos falta.

Nunca quero apanhar búzios na praia, talvez pela orfandade,

que eu não saberia o que fazer dela.

Gosto de os ver mas não os recolho.

Não saberia onde lhes dar outro lugar.

Josef Almeida ( poeta e tradutor)



Project Fountain
22 Junho 2011, 9:37 pm
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às vezes, a maior parte das vezes, falo à procura das palavras. Mesmo quando encontro a graça que serve para me encontrar com o outro defendendo-me deste despropósito que é estar acompanhada no mesmo lugar onde nos debruçamos sobre o vazio imenso. Com os amigos estou num grande navio de contornos mais nitidos. Do alto do coração que se entende como uma amurada e se define pelas marcas dos salpicos salgados. Não sei aceder nem partilhar apenas ficar. Desejar é conseguir inventar partes de livros. Imagens soltas em que se perde o propósito do discernimento da responsabilidade autoral. Por vezes tenho imagens nítidas de ilustrações, Animais que aparecem sobre o verde alagado de chuva que fazem com que ainda se enleve o sentido mais selvagem das minha últimas vontades. Tenho pensado que das memórias alteradas da minha infância guardo o corpo deitado de barriga para baixo. As unhas sujas da cor das coisas da terra e o coração a bater de encontro ao chão. Estar só eis de onde vim e para onde vou. O que permanece mais firme é a solidão. O que ainda gosto está preso no olhar que não consigo reter, o que amo usa as folhas das árvores e atravessa as estrelas que eu desconheço. Assisto desde criança a esta morte que se sente a viver. Vejo e morro em pedaços que se espalham como imitações de luz.

escrito e traduzido por quem se deu como Anónimo



Project Fountain #6 ( dois pequenos poemas traduzidos)
6 Maio 2011, 2:18 pm
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às flores pequenas que caem das árvores

 eu só posso dizer que não saberia deitar-me debaixo da árvore e ficar à espera que me tocassem que me preenchessem ou me debruassem.

Não saberia fazê-lo porque já me tenho com tudo contado e assim não sei senão contar o tempo nesta coisa que nos ensinam.

Lembro-me de um sentir que desatento do seu próprio corpo era o lugar onde caíam as flores.

 posso invocar mas já não sou capaz de me encontrar sem dar conta disso.

(Louise G. traduzido por Trans. Correct)

às vezes não tem graça tocar realejo

 A pressão que sinto no peito é um aviso, eu sei que é um aviso que de dentro empurra para fora e que resiste à força da pressão exterior.

Não sei quem começou a fazer força. Não sei se fui eu que me enchi demasiado

ou se de fora me apertaram e eu reajo.

(Trails F. forg. traduzido por Rosalinda F.T.)



Project Fountain #5 (dois poemas traduzidos)
16 Janeiro 2011, 6:38 pm
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História de Amor

Encontrei uma flor num muro. parecia um fóssil

No tecto da casa havia outra flor que por vezes parecia um rosto.

deformava-se com a ajuda da luz e da persistência.

Quando insistimos em olhar as imagens,

o desejo de fazer coincidir o olhar com o tempo,

não consegue o lugar de encontro,

entre demasiado e intensidade.

Apesar de todo o cuidado, os tectos e as paredes mudam.

Não se podem usar palavras com suficiente exactidão

para definir as paisagens que se servem sem julgamento.

Tudo o que existe fora deste lugar indica pela forma concêntrica

que estamos geográficamente na intersecção dos ossos.

E a carne que nos é servida é a do nosso coração.

Ocorre por vezes a eternidade, a desnecessária explicação da vida.

A morte densa e azul, feita de corpos fisicos,

aproxima-se da representação de uma alma táctil,

expressão traduzida a vermelho de um corpo opaco e pesado.

Este deserto onde o ar é quase irrespirável

sobrevive através de tudo o que anuncia a morte.

O sol está no chão e o o céu gravado em estrelas fósseis.

(texto de Louise G. Traduzido por Rosalinda F.T.)

 

       O principe das mãos vazias

       Carreirinhos são lugares

        Que se podem percorrer

        Exercicios do olhar

        Que os pés deixam antever

         Se cada passo que fica

         Justifica um mais à frente

         Mesmo que se repita

         Vai sempre sendo diferente

         Como os passos são precisos

         Para definir os lugares

         Os seus cabelos são lisos

         De tanto os acarinhares

          Escorregam os olhos suaves

          Pairando pelo calor

          Lembrando o vôo das aves

          Nos dedos do teu Amor

(Poema popular de um anónimo, traduzido livremente por Mateus Oliveira W.)