Maria João Worm


Projecto Fountain, A fonte das palavras

São boas as notícias que tenho. Existe, aqui e agora,  um novo espaço para sonhar.

A revista Fountain, que em português terá por título fonte das palavras, vai ser editada ( em cima projecto para a capa do 1º número). O projecto concebido pelo departamento de lingua portuguesa, liderado pela professora Maria Willing Veríssimo, da Universidade Academic Boston New Project, será desenvolvido em parceria com a IPDEA (Instituição Portuguesa de Sobrevivência e Dignidade da Escrita e Arte)

Neste primeiro número inteiramente dedicado à poesia, serão editados 30 poemas de trinta poetas que integram o projecto piloto, Got to Live & got to Dream, apoiado pelas Fundações STRTD ( Save The Rights To Dream) e ANL (Art Is No Lie) ambas sitiadas em Boston. Este número revela o resultado do primeiro mês deste projecto inovador.

O projecto resulta de um acordo feito com empresas alimentares e hoteleiras. Durante um ano este grupo de poetas tem assegurada, alimentação e lugar de residência. Os artistas participantes têm um cartão que lhes foi concedido e que lhes permite, trocar os serviços acima mencionados, quer por poemas, quer por outro tipo de tarefas que se proponham dentro de uma lista também ela fornecida no inicio deste projecto. A lista de tarefas que podem fazer,  assenta sobretudo,  em  prestação de serviços à comunidade, por exemplo: um fim de semana a trabalhar na caixa do supermercado, passear cães que estão retidos no canil Municipal, limpeza de rua ou jardinagem em jardins públicos, ou responderem a convites da própria Universidade para darem Conferências sobre temas a serem préviamente analisados. Estes trabalhos apenas tomarão o tempo de um fim de semana.

No final do ano, tendo sido publicados 12 exemplares da revista, serão facultadas as possibilidades de publicação em livro.

Embora o sonho possa ser o princípio, o sonhador não sobrevive do sonho porque tem de viver. E de facto pode parecer  um belo sonho trocar poemas por artigos de primeira necessidade e de sobrevivência. No fundo é uma troca de diferentes serviços. Trata-se de uma real possibilidade de integração do trabalho artístico na sociedade, que muitas vezes não o vê como um trabalho;  que pode e deve permitir a subsistência do trabalhador. 

Sem dúvida uma troca justa.

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